Betão de Má Qualidade no IP3

Algumas estruturas de betão do IP3 (que liga Vila Verde da Raia à Figueira da Foz) necessitam de reparação, pois o betão utilizado era de qualidade duvidosa. Este problema verifica-se principalmente no troço que atravessa a barragem da Aguieira.

Em teoria, as estruturas não deviam apresentar qualquer tipo de problema nos 50 anos após a construção. Porém, sete pontes deste Itinerário Principal, apesar de terem apenas 30 anos, carecem já de reparação.

Pela manifestação da patologia (betão a “esfarelar”, nalgumas zonas com armadura à vista) estamos provavelmente perante um caso de má mistura dos componentes do betão. Assim, poderá ter havido um cálculo errado das proporções de cimento, areia, brita e água ou então as proporções de projecto não foram respeitadas em obra. A utilização de areia de origem marítima mal lavada também poderá ser uma das causas da referida patologia, pois poderá ter provocado a corrosão das armaduras e consequente destacamento do betão.

A diminuição da durabilidade e resistência do betão poderia pôr em causa a segurança dos automobilistas.

Este problema vai “obrigar” a Estradas de Portugal a investir cerca de 50 milhões de euros para reabilitar as sete pontes nos concelhos de Penacova, Mortágua e Santa Comba Dão. Uma destas pontes terá mesmo que ser substituída, enquanto nas outras apenas é necessário reparar ou substituir pilares.

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  1. Reacção Álcalis-Sílica

6 comments

  1. Liliana diz:

    É uma situação deveras estranha! Geralmente o IP tem fiscalização nas suas obras e os CE´s são extensos e bastante exigentes. Para não falar que há ensaios…

    Mas nada é perfeito e houve uma falha “cara” nesta zona.

  2. David diz:

    As obras do IP3 são da autoria do Prof. Edgar Cardoso, engenheiro de referência, datadas de 1970. O fenómeno que ocorre no betão dos pilares das obras do IP3 deve-se à reacção Alcalis-Silica. Trata-se de uma reacção expansiva que leva à fissuração do betão e não ao seu “esfarelamento”. Este fenomeno aquando da construção das obras era desconhecido e deve-se à reacção da alcalis constituinte do cimento com a silica constituinte dos inertes, há inertes com maiores concentrações que outros. Este fenómeno foi detectado em várias obras de relevo construídas no mesmo periodo.

    • Fica o esclarecimento… Por acaso não tive a oportunidade de ver in loco este problema. Falei no “esfarelamento” porque foi o que ouvi numa reportagem da TV.
      Qualquer dia faço um post sobre esta reacção 🙂

  3. Liliana diz:

    Obrigado colega David pelo esclarecimento. Vias não é a minha formação, mas nunca é demais saber um pouquinho de todas as áreas.

    • A reacção álcalis-sílica (RAC) verifica-se não só em obras de arte como também em barragens e em edíficios. É uma reacção dos constituintes betão, ou seja, tudo o que tem betão pode ter problemas devido à RAC

  4. David diz:

    Só mais uma achega, que por vezes os jornalistas tornam as coisas sensacionalistas, a Ponte que terá que ser substituida não o será por estar em colapso eminente. O nivel de degradação é do mesmo nivel que ocorre nos pilares das restantes pontes, o que acontece é que nessa obra os pilares têm 80 m o que pode inviabilizar a sua reabilitação face à sua substituição. Nas restantes obras os pilares têm cerca de 30 m. E em todas elas os pilares estão imersos pelas águas da albufeira.

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