Salário Mínimo e Isolamento Sonoro

Aproveitando a recorrente discussão sobre o reduzido valor do salário mínimo em Portugal, recordo aqui uma pesquisa que efectuei recentemente, a propósito de um trabalho de consultoria acústica, acerca dos níveis isolamento sonoro em diferentes países da Europa, tendo constatado (sem grande surpresa aliás) que também nesse domínio Portugal está mal colocado (ver imagens abaixo).

Isolamento Sonoro a Sons Aéreos (B. Rasmussen, 2009)

Isolamento Sonoro a Sons de Percussão (B. Rasmussen, 2009)

De facto, enquanto que nos países mais evoluídos da Europa o valor do índice de redução sonora aparente (R´w) entre fogos (e refiro-me ao patamar mínimo legal, uma vez que nesses países existem vários níveis de qualidade) é da ordem dos 55 dB, em Portugal esse valor é da ordem dos 50 dB.  Já no caso dos sons de percussão a diferença é de 60 dB para 53 dB (como se sabe neste caso quanto mais baixo melhor é o desempenho).

E, tal como alguns (infelizmente demasiados, que fazem esquecer muitos com qualidade) empresários reclamam sobre o elevado valor do salário mínimo em Portugal, também alguns (mais, menos, não sei…) empreiteiros, e também alguns técnicos(!), defendem que o isolamento sonoro exigido pela legislação nacional é demasiado elevado. Alguns há que até defendem ambas as perspectivas.

Para esta mentalidade, acompanhada aliás pela generalidade das instituições com responsabilidades ao nível da governação e do licenciamento (respectivamente para ambos os casos) não há UE ou FMI que nos valha. Apenas a qualidade e exigência da sociedade civil. Até lá, resta-nos o bom e triste fado.

(Guest Post de Tiago M.D. Ferreira, Log(Acústica))

Para quem se interessar por Acústica visite o grupo “Ruído em Edifícios” no Facebook no qual Tiago Ferreira é administrador.

One comment

  1. Adelino Lopes diz:

    Os valores legais em PT, garantem um conforto acústico a cerca de 1/3 da população, não chegando sequer ao minimo de 50% da população, o que deveria ser garantido em qq legislação …

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