O caso bicudo dos recém licenciados

Todos sabem que os recém licenciados (ou recém mestrados) são mal pagos, mas a culpa é de quem?

Na minha opinião, não é dos patrões. Eles têm que obter algum lucro e vão tentar ter a melhor competência pelo melhor custo. Porque é que haveriam de oferecer 1500 ou 2000 euros a um engenheiro acabado de sair da Universidade quando encontram alguém com as mesmas competências que aceita trabalhar por 750 euros (ou menos, mas aí já roça a exploração). Ponham-se também na posição do patrão.

Reparem ainda que quando saem da Universidade pouco ou nada sabem fazer. Ainda irão demorar algum tempo até entrarem nas rotinas.

“Pouco pão para muitos esfomeados” pode ser uma boa definição para este problema. Se há pouco pão para muitos esfomeados, quando a fome aperta, muita gente se oferece por migalhas.

Penso que já foi defendido aqui pelo administrador do blog que se devam reduzir as vagas no curso de Engenharia Civil. De facto, anualmente saem para o mercado de trabalho (ou para o desemprego) muitos mais engenheiros civis que o mercado consegue absorver. O curso de engenharia civil está a tornar-se banal e agora qualquer universidade ou instituto o tem (acho que até a escola de condução daqui da esquina tem o cursos de engenharia civil). Estão-se a criar sonhos a pessoas que serão destruídos. Muitos dos que estão a sair da universidade vão ter que ir para outras áreas que pouco ou nada têm a ver com engenharia civil.

Queria também deixar uma crítica aqueles estudantes que se fazem de coitadinhos com as novas regras das bolsas de estudo. Diziam que iam ter que desistir do curso porque não tinham forma de sobreviver com os cortes efectuado. Esses mesmos estudantes (e falo do que sei) são os mesmos que os apanhei muitas vezes na noite a gastar verdadeiras pipas de massa. São aqueles que residiam a 20 quilómetros da faculdade mas que alugaram um quarto ao lado da faculdade, etc.

Felizmente faço parte daquela fornada que saiu da universidade há 5/6 anos, quando ainda não se notava muito esta estagnação do mercado. Felizmente também fui para uma empresa sólida no mercado que praticamente não sente a crise dada a internacionalização.

Para quem ainda está a estudar dou-vos um conselho: apostem na formação em língua inglesa e francesa. Será um passo de gigante na vossa internacionalização!

Guest-post de: Pedro

7 comments

  1. Liliana diz:

    Concordo com o colega.

    Infelizmente parece que se aposta no titulo do “Sr. Eng.º”, sem saber ao certo qual o futuro. O ensino está a perder algumas qualidades com a introdução das licenciaturas de Bolonha. Observo isso porque trabalho com colegas que tem o titulo académico de “Sr. Eng.º” sem saber o que é uma cantaria…

    Pessoalmente estou à beira do desemprego… E equacionar começar a procurar lá fora!

    Para além do Francês e Inglês, também aconselho o Alemão.

  2. y diz:

    “O ensino está a perder algumas qualidades com a introdução das licenciaturas de Bolonha.” atenção porque licenciatura de Bolonha não permite a inscrição na Ordem dos Engenheiros..apenas com o Mestrado. Relativamente ao ensino acho que tal como Eng. Civil a generalidade dos cursos é muito teórico.

  3. Fábio diz:

    Mas qual é a área neste momento que tem saída? Eu só me lembro de Medicina e cursos de Saúde… As outras Engenharias estão igual! E ainda se vê anúncios de Engenharia Civil. O problema é esse mesmo, muita oferta para tanta procura (como em quase todas as áreas)!!!! As obras públicas diminuíram e vão diminuir mais ainda! Principalmente com o novo Governo que penso que nem querem apostar na reabilitação, ou se vão apostar, segundo o que li, copiaram o que o PS tinha determinado (ou seja menos burocracias para o processo da reabilitação urbana). Dados estatísticos e estudos indicam que só cerca de 20% dos edifícios em Lisboa estão preparados para sismos de forte intensidade! E nem vou falar do Algarve! Desde projectos mal concebidos a direcções de obra e fiscalizações mal executadas, porque sim não é só devido à antiguidade das edificações que dessas também existem ao pontapé! De qualquer das maneiras e mesmo apostando na reabilitação urbana a procura vai continuar superior à oferta. As coisas melhorariam sim, e concordo, com diminuição de faculdades, ou de diminuição de abertura de vagas e se a nossa economia não tivesse em baixo, que possibilitaria fazer obras de maior envergadura. De qualquer das maneiras acho que a reabilitação urbana vai ser o futuro em Portugal dentro de 3 a 4 anos, tal como as energias renováveis (existem mestrados nestas áreas, porque não apostar?) . Ir para o estrangeiro? Uma possibilidade. O Problema é que anúncios pedem 8, 9, 10 anos de experiência… e impossível para recém licenciados! Ou arranjas logo o trabalho cá e vais (muito difícil devido à experiência que pedem) ou tens alguém familiar ou amigo e vais e ficas nesse país uns meses à procura , ou então vais à aventura (mas essa aventura pode sair cara se não tiveres onde dormir nos primeiros tempos). Estou desempregado quase à 6 meses mas prestes a recomeçar o meu trajecto profissional em Portugal, e vou continuar os estudos numa área que acho que tem futuro e também gosto, uma coisa é certa, não vou desistir da minha área que tanto gosto, Engenharia Civil será sempre Engenharia Civil, a legislação está quase toda a nosso favor em relação as outras áreas de Engenharia por isso quem gosta mais tarde ou mais cedo tem sucesso, é uma questão de tempo!

  4. Mas qual é a área neste momento que tem saída? Eu só me lembro de Medicina e cursos de Saúde… As outras Engenharias estão igual! E ainda se vê anúncios de Engenharia Civil. O problema é esse mesmo, muita oferta para tanta procura (como em quase todas as áreas)!!!! As obras públicas diminuíram e vão diminuir mais ainda! Principalmente com o novo Governo que penso que nem querem apostar na reabilitação, ou se vão apostar, segundo o que li, copiaram o que o PS tinha determinado (ou seja menos burocracias para o processo da reabilitação urbana). Dados estatísticos e estudos indicam que só cerca de 20% dos edifícios em Lisboa estão preparados para sismos de forte intensidade! E nem vou falar do Algarve! Desde projectos mal concebidos a direcções de obra e fiscalizações mal executadas, porque sim não é só devido à antiguidade das edificações que dessas também existem ao pontapé! De qualquer das maneiras e mesmo apostando na reabilitação urbana a procura vai continuar superior à oferta. As coisas melhorariam sim, e concordo, com diminuição de faculdades, ou de diminuição de abertura de vagas e se a nossa economia não tivesse em baixo, que possibilitaria fazer obras de maior envergadura. De qualquer das maneiras acho que a reabilitação urbana vai ser o futuro em Portugal dentro de 3 a 4 anos, tal como as energias renováveis (existem mestrados nestas áreas, porque não apostar?) . Ir para o estrangeiro? Uma possibilidade. O Problema é que anúncios pedem 8, 9, 10 anos de experiência… e impossível para recém licenciados! Ou arranjas logo o trabalho cá e vais (muito difícil devido à experiência que pedem) ou tens alguém familiar ou amigo e vais e ficas nesse país uns meses à procura , ou então vais à aventura (mas essa aventura pode sair cara se não tiveres onde dormir nos primeiros tempos). Estou desempregado quase à 6 meses mas prestes a recomeçar o meu trajecto profissional em Portugal, e vou continuar os estudos numa área que acho que tem futuro e também gosto, uma coisa é certa, não vou desistir da minha área que tanto gosto, Engenharia Civil será sempre Engenharia Civil, a legislação está quase toda a nosso favor em relação as outras áreas de Engenharia por isso quem gosta mais tarde ou mais cedo tem sucesso, é uma questão de tempo!

  5. Caro autor,

    Sou Eng. Civil brasileiro moro na cidade de Curitiba. Fiquei assustado com os depoimentos dos colegas de profissão portugueses. Sei que Portugal está passando por um momento ruim economicamente e um reflexo disto são os salários médios expostos que são muito inferiores aos pagos aqui no Brasil ou em outras partes do mundo para a mesma função. Por exemplo Eng. Civil Júnior – recem graduado no Brasil ganha no mínimo o equivalente a 2000,00 euros e os empregadores disputam no tapa aqueles que estão dispostos a se mudar para outras localidades no interior do país…..Porém tenho certeza absoluta que a solução para que melhore a condição dos engenheiros civis em Portugal não é através da redução do número de formandos por ano….Pois isto é a forma direta e simplista de se resolver o problema no curto prazo….Creio que o ideal para a categoria seria realmente a disposição para encontrar novos mercados, trabalhei na Líbia ( Africa) por um ano e tenho certeza que o continente africano possui grandes mercados para Portugueses inclusive trabalhei com alguns portugueses por lá. O problema é que para conseguir um bom trabalho deve-se estar capacitado para tal. O inglês é fundamental disponibilidade e espirito desbravador faz parte da nossa formação e deve ser uma característica marcante. Não adianta ficar se lamentando, seja criativo e se capacite com cursos de pós graduação como mestrado e doutorado e posteriormente abrace as oportunidades

  6. Join diz:

    Muito Bom post.

    Realmente, este flagelo agrava em muito a situação do pessoal…

    Na esperança de poder ajudar,

    deixo alguma informação adicional sobre trabalho temporário… não é solução, mas pode contribuir para um começo diferente… As pessoas não podem é desanimar! Força aí!

    Trabalho e Empregos Temporários para os Jovens Encontra tudo sobre o trabalho temporário para jovens. Descobre onde, como e em que contexto esta poderá ser uma solução! http://www.trabalhoparajovens.blogspot.com/

    Força!

  7. Alexandre diz:

    Muito bom post, é verdade que estamos atravessar um fase má, mas o importante é que ainda há algum trabalho, pode não ser como engenheiro civil mas sim como engenheiro. Eu pessoalmente tenho sorte, estou a trabalhar numa empresa e com boas condições, coisa q muitos q por aqui passam se queixam.Quanto às licenciaturas de bolonha caros colegas, não critiquem, nota-se aí um sentimento de injustiça e de revolta da vossa parte, o q vocês estão a querer dizer por outras palavras é, ” eu tirei uma licenciatura de 5 anos numa Universidade, e vem estes artistas a saír de um politécnico com 3 anos e já valem tanto como eu”.Já trabalhei com um aluno do Instituto com licenciatura de 3 anos, e por sinal o rapaz era muito bom!

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