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Engenheiros Civis -admissão à OE

No seguimento de outros artigos do site que falam sobre a competência e a empregabilidade e a sua relação com as médias e universidade frequentada, gostaria de deixar o meu comentário neste artigo específico sobre os exames de admissão à OE.

Na minha opinião, TODA A GENTE que termina um curso de engenharia deveria fazer exame de admissão à OE, independentemente da média ou escola. Não um exame como os que se fazem ao longo dos cursos, pois isso ia dar ao mesmo, mas sim reflectindo os casos bicudos que são o pão nosso de cada dia da vida real.

Acho que deviamos ter um sistema parecido ao do Reino Unido. Lá, quando alguém termina um curso de engenharia, tem de passar por um esquema de treino profissional aprovado pelas Ordens (Institution of Civil Engineers ou Institution of Structural Engineers por exemplo). Se o conseguir fazer numa empresa que já tenha esses planos de formação aprovados porreiro, senão tem de fazer o seu próprio plano de cursos de formação (onde além de conteúdos técnicos tem também de estar incluído: liderança, gestão de equipas, condução de reuniões, etc etc). Isto demora mais ou menos 3 ou 4 anos (que eles consideram um mínimo). Depois, a pessoa apresenta-se como candidato à admissão a membro profissional (“chartered member”). As Ordens analisam o seu percurso académico, o seu percurso profisional inicial (incluindo o tal esquema de formação aprovado) e decidem se pode fazer o exame à Ordem. No caso da Institution of Structural Engineers, o exame ocorre uma vez por ano em vários locais espalhados pelo mundo, dura 7 horas e tem uma taxa de reprovação de cerca de 60%. Depois ainda há uma prova sob a forma de entrevista, a realizar noutra data.

Um outro exemplo é a California, onde para se ser um “Professional Structural Engineer”, habilitado a assinar projectos de estruturas é preciso (por esta ordem):

– passar no exame nacional de graduado em engenharia civil (8 horas);

– ganhar no mínimo 4 anos de experiência profissional relevante;

– passar no exame nacional de profissional em engenharia civil vertente estruturas (8 horas);

– passar no exame estadual de engenharia de estruturas (8 horas). Embora seja possível trabalhar nesta área no Reino Unido sem estar inscrito nas Ordens (nos EUA, pelo menos o primeiro exame é obrigatório), em nenhum destes países se vai muito longe sem conseguir chegar a membro profissional.

Os títulos de MICE e MIStructE (Reino Unido) e o de Professional Structural Engineer (California) são do que mais prestigiante pode haver, e muito procurados por firmas de engenharia que actuam no mercado global. Por outro lado, em Portugal, temos pessoas sem formação específica em estruturas, muitas vezes acabadinhos de sair do “forno”, a meter porcos no Cype para ver se saem chouriços. E quem diz estruturas diz outras áreas. Também já trabalhei com um doutorado português com médias elevadíssimas que nunca conseguiu passar no exame no Reino Unido, e isso é bem patente no seu trabalho (não dá uma para a caixa…). No entanto, em Portugal, ele é o maior Se realmente se quiser fazer a separação entre aqueles que sabem dar resposta aos problemas REAIS, e os que só sabem resolver exercícios académicos, é para este caminho que temos de apontar. E olhem que não me estou a queixar, pois terminei o curso de Eng. Civil (Estruturas) no IST com média de 14, sou membro efectivo da OE e estive sempre empregado desde que me graduei. Isto é apenas uma crítica construtiva para ajudar a credibilizar a nossa engenharia neste mundo globalizado.

Por fim, deixo abaixo um link com exames antigos para membro “chartered” do IStructE para vocês brincarem um bocadinho http://www.istructe.org/membership/examination/past-papers

Escrito por: Eng. Renato