Desabafos de um engenheiro à procura de emprego

Recebido na caixa de comentários do blogue, decidi dar mais visibilidade a este desabafo que deve ser comum a muita gente:

“Terminei os meus estudos em finais de Julho do ano passado e desde aí tenho tentado, em vão, arranjar emprego ou um simples estágio. Fiz o Mestrado Integrado em 5 anos com bastante esforço e a recompensa agora é nula. As empresas não recrutam pessoal para primeiro emprego sem experiência, mesmo para o exterior pedem experiência. Mas se eu não tenho experiência, saí agora de um curso de 5 anos da faculdade sem qualquer experiência prática. Como vou agora conseguir ter experiência se não me dão uma única oportunidade? É uma verdadeira utopia!

Tenho ouvido muitos NÃOS de muitas empresas até gozam com o facto de procurarmos trabalho dizendo que o que não falta para aí são eng, e que agora é barato ter um.  Mas eu insisto na procura de trabalho, na procura de experiência e digo-vos NÃO DESISTO quero exercer pelo menos uma única vez no mínimo a profissão para que estudei a profissão que amo.

Acho que a Ordem dos Engenheiros, e falo por mim que já paguei 80€ a eles só para obter um despacho em como estava apto para estágio, devia defender mais os interesses dos engenheiros, e em especial o dos recém licenciados que não têm culpa da situação actual, não tem experiência e não conseguem arranjar um único emprego. Ordem em especial Bastonário porque não contactar com o tecido empresarial português que acolhe eng e incentivá-los a oferecer uma oportunidade, um estágio.

Por último quero vos contar que já recebi uma proposta para a área de eng civil para ganhar 300€ por mês durante um período de 2 a 3 meses e depois caso continuasse ficaria a ganhar o salário mínimo nacional, subindo depois na empresa como dizia o dono. As espectativas de estágio quer fossem estágio para a ordem ou estágio IEFP eram nulas/zero. A ordem devia actuar e fazer pressão sobre entidades nacionais como o INCI a fim de “apertar” esse tipo de empresas. Só digo que a empresa tem alvará classe 7 de edifícios tradicionais e é da zona de Aveiro.

Por último quem conhecer alguma oportunidade para Eng Civil para recém licenciado que a divulgue neste comentário ficaria muito agradecido.”

5 comments

  1. Inês diz:

    Boa noite,

    Partilho da frustração do Ricardo a 100%.

    Também me licenciei (Mestrado Integrado em Engenharia civil, 5 anos, numa faculdade prestigiada) em 2011 e, na altura, já antecipava que ia ser difícil arranjar trabalho. Contudo, nada me preparava para a dureza da realidade da construção civil nos anos de 2011 e 2012.
    Posso dizer-vos que já mando currículos desde Outubro de 2011, e até agora não consegui arranjar emprego. Tive poucas entrevistas, também. Tenho cursos de AutoCAD (125h), AutoCAD 3D (75h), Microsof Project (25h), Curso de Projectista de Redes de Gás e cédula profissional e Illustrator. Sei que há pessoas com mais cursos, mas cada vez mais me parece que não ajuda em nada.

    Mando currículos sem qualquer critério de localidade. Mando candidaturas espontâneas. Respondo a anúncios. Inscrevo-me em conferências de emprego. Mando para fora do país… Os únicos destinos onde ainda me retraio são os países africanos e os países árabes, mas estes últimos, sendo mulher, nem me considerariam a candidatura.

    O Centro de Emprego de pouco serve… Recentemente, recebo uma carta deles para me apresentar, em três dias úteis, numa empresa de um Empreiteiro local, para entevista. Quando lá fui, já tinham preenchido a vaga há 15 dias, e eu nem cumpria os requisitos mínimos porque ainda não posso assinar os alvarás que eles pretendiam. Ou seja, não tiveram o cuidado de verificar o meu currículo.

    Além disto, tenho-me deparado com a desvalorização constante da profissão, não só para os recém-licenciados… Ouço valores de projectos de 180€ (execução + certificação), projectos de gás a 30€, projectos de todas as especialidades para moradias a menos de 2000€… Engenheiros civis com mais de 5 anos de experiência e que não ganham 1000€ limpos. Pergunto-me, também, como é que é possível assinar termos de responsabilidade a ganhar pouco mais do ordenado mínimo..

    Gosto da minha profissão, mas sinto-me cada vez mais próxima de abandoná-la… Talvez arranjar um emprego qualquer noutra área, nem que seja numa loja, e investir num outro mestrado, de outra área, para ver se consigo algum trabalho digno.

    É muito triste e não foi para isto que estudei, de todo.

  2. Joao Lopes diz:

    Bem, segundo dizia o prof M.A da U.M nas aulas de betao armado I, o nosso futuro seria “emigrar” ao acabar o curso…Pois, e experiencia aonde está ?

    É que lá fora não querem estagiários, andam-se a formar pessoas para NADA !!!

  3. Ana diz:

    Não sou engenheira, tenho licenciatura em nutrição e acreditem que não está melhor. Uma Ordem (recente), 6 meses de estágio obrigatório para poder exercer em que a prespetiva de futuro é a prestação de serviços e consultas a menos de dez euros.
    A opção recai sobretudo em estágios não-remunerados numa fase inicial (para quem pode) que poderão dar acesso à Ordem (após os mais de 600€ de “quotas e taxas”, com acréscimo de deslocações à sede com possível estadia de 1 semana para seminários obrigatórios e avaliações…).
    Emigrar é possível com experiência e apenas como estagiário (utópico), porque como recém licenciado sem estágio obrigatório, não há autorização da Ordem para exercer sem supervisão.
    Resta-nos colocar todos os dias em questão a finalidade de tudo o que se andou a fazer nos 4 anos de estudo (com estágios curriculares) + os cerca de 6m-1ano de estágio à Ordem..

  4. Marcelo Cabral diz:

    Boa Tarde meus queridos colegas.

    Sou Engenheiro Eletricista e tenho apenas 10 anos de experiência.
    Não pensem que pra mim está um mar de rosas. Pelo contrário.
    Fui funcionário até um ano atrás e desde então tenho que trabalhar como PJ para sobreviver, fazendo projetos por até R$ 2.000,00.
    A entidade da classe pouco de preocupa com essa situação.
    Digo com conhecimento de causa, que emprego hoje é loteria.
    Não existem critérios para avaliação a não ser filtros das agências de emprego para seleção.
    Imaginem uma vaga anunciada na Catho por exemplo.
    Imaginem que para essa vaga, tenham 200 inscrições do Brasil inteiro.
    Quando forem realizar a seleção, vão filtrar da seguinte forma:
    1 – Que seja da região….(só aí já são DESCARTADOS uns 40 currículos.
    2 – Que tenha no mínimo 8 anos de experiência…..(aí já são descartados mais 40 currículos);
    3 – Que tenha de 25 a 35 anos…..(são descartados mais 30 currículos);
    4 – E por fim, com pretenções salariais de R$ 5.000,00 a 8.000,00.
    Um engenheiro com 08 anos de experiência vai ganha no mínimo R$ 10.000,00.(descartados mais 40 currículos);
    Sobram no final 50 currículos.
    Vocês acham que eles vão realizar 50 entrevistas?
    E os currículos que foram descartados?
    Vão pro lixo. Não são reencaminhados para outras oportunidades.
    Se você tiver a sorte de estar entre os 10 primeiros selecionados, vai ser encaminhado para entrevista. Os outros, vão se F………
    É simplesmente nojento………pôdre…….
    Como isso desanima….estamos pagando uma agência de empregos porque precisamos trabalhar…..
    E tem mais…..se você não pagar o plano mais caro, suas chances ficam ainda menores……
    É como jogar na loteria…..
    Enxergo a situação como a máfia do desemprego.

  5. fr diz:

    Sinto me gozado por ter ido estudar.
    As universidades são uns rouba vidas. Que porcaria.

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