Desabafos de uma engenheira à procura de emprego

Porque de experiências e testumunhos aprendemos também qualquer coisa partilho agora o desabafo da colega Inês:

“Também me licenciei (Mestrado Integrado em Engenharia Civil, 5 anos, numa faculdade prestigiada) em 2011 e, na altura, já antecipava que ia ser difícil arranjar trabalho. Contudo, nada me preparava para a dureza da realidade da construção civil nos anos de 2011 e 2012.

Posso dizer-vos que já mando currículos desde Outubro de 2011, e até agora não consegui arranjar emprego. Tive poucas entrevistas, também. Tenho cursos de AutoCAD (125h), AutoCAD 3D (75h), Microsof Project (25h), Curso de Projectista de Redes de Gás e cédula profissional e Illustrator. Sei que há pessoas com mais cursos, mas cada vez mais me parece que não ajuda em nada. Mando currículos sem qualquer critério de localidade. Mando candidaturas espontâneas. Respondo a anúncios. Inscrevo-me em conferências de emprego. Mando para fora do país…Os únicos destinos onde ainda me retraio são os países africanos e os países árabes, mas estes últimos, sendo mulher, nem me considerariam a candidatura.

O Centro de Emprego de pouco serve… Recentemente, recebo uma carta deles para me apresentar, em três dias úteis, numa empresa de um Empreiteiro local, para entevista. Quando lá fui, já tinham preenchido a vaga há 15 dias, e eu nem cumpria os requisitos mínimos porque ainda não posso assinar os alvarás que eles pretendiam. Ou seja, não tiveram o cuidado de verificar o meu currículo.

Além disto, tenho-me deparado com a desvalorização constante da profissão, não só para os recém-licenciados… Ouço valores de projectos de 180€ (execução + certificação), projectos de gás a 30€, projectos de todas as especialidades para moradias a menos de 2000€… Engenheiros civis com mais de 5 anos de experiência e que não ganham 1000€ limpos. Pergunto-me, também, como é que é possível assinar termos de responsabilidade a ganhar pouco mais do ordenado mínimo..

Gosto da minha profissão, mas sinto-me cada vez mais próxima de abandoná-la… Talvez arranjar um emprego qualquer noutra área, nem que seja numa loja, e investir num outro mestrado, de outra área, para ver se consigo algum trabalho digno.

É muito triste e não foi para isto que estudei, de todo.”

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