Archive for 25/07

Anúncio estranho… mas real

Ao menos não podemos criticar, são sinceros:

Candidato tem que ter disponibilidade de trabalho no campo.
Nem sempre as condições de trabalho serão favoráveis neste projeto.
Muitas vezes o candidato encontrará:
LOCAIS COM FALTA DE ÁGUA E ENERGIA;
LOCAIS SEM HOTÉIS E ÁGUA QUENTE P/ BANHO;
LOCAIS SEM RESTAURANTES;
LOCAIS SEM FARMÁCIA;
LOCAIS SEM AR-CONDICIONADO;
LOCAIS SEM BANHEIRO;
ESTRADAS EM CONDIÇÕES RUINS, TRÁFEGO EM VELOCIDADE REDUZIDA;
POSSIBILIDADE DE DORMIR EM CAMIÕES OU BARRACAS, DEPENDENDO DAS CONDIÇÕES DE VIAGEM;
Trata-se de um projeto que consiste na perfuração de poços para fornecimento de água. Estes poços serão perfurados ao longo do país e nem sempre o trabalhador encontrará uma condição favorável.

Requisitos:
– Experiência Comprovada;
– Disponibilidade de trabalho no exterior – África Central – Brazzaville (Congo)

Empresa oferece:
– Boa remuneração;
– Seguro de Vida;
– Plano de Saúde nacional com abrangência internacional;
– Alimentação (Conforme disponivel no local)
– Estadia (Conforme disponivel no local);
– Transporte (Conforme disponivel no local);
– Viagens a cada 4 meses;

Interessados enviar curriculum com pretensão salarial para:

rodrigo.reis@asperbras.com

Dúvidas de um colega

Prezados Construtores, Professores, colegas Engenheiros e demais Profissionais,

Tendo concluído recentemente uma licenciatura em engenharia civil, encontro-me agora num impasse.

Apesar de no secundário não acreditar na importância da escolha da instituição de ensino superior, o que me diz a experiência é que isso tem a máxima importância, visto que, ainda que tenhamos as ferramentas necessárias para podermos demonstrar o nosso valor, a verdade é que a oportunidade é muito, muito reduzida. Assim, e na esperança de ainda vir a poder trabalhar na minha área de formação, decidi fazer uma prossecução de grau.

Dito isto, o que vos peço agora é uma opinião acerca dos Mestrados que tenho em vista, já que gostava muito de reduzir ao máximo a hipótese de insucesso nesta minha escolha.

Gostaria ainda de vos explicar que apesar de residir no Porto e saber que consigo (99%) entrar em qualquer Instituição, estou a pensar ir para Lisboa para a Universidade Nova de Lisboa tirar o Mestrado em Estruturas e Geotecnia, pois é dos poucos que me suscita interesse a par do Mestrado em Construção e Reabilitação sustentáveis, Ramo de Conservação e Reabilitação de Edifícios na Universidade do Minho, ambos Mestrados de 2º Ciclo (a FEUP não tem nada interessante).

As questões são:
1) Estas Universidades são bem conceituadas, objetivamente no ensino destes Cursos?
2) Estes Mestrados de 2.º Ciclo são realmente bem vistos na comunidade científica/empregadora ou agora só os Mestrados Integrados são bem vistos e os de 2.º Ciclo uma espécie em extinção?
(Não me revejo a repetir cadeiras por meras objeções de puro marketing empresarial)
3) Qual destes Mestrados se integrarão melhor no panorama de empregabilidade Nacional/Externa?
4) Fica aberta a possibilidade de um doutoramento?

Em consciência de que a vossa opinião pode pesar no futuro de um jovem engenheiro dêem por favor as vossas sábias opiniões.

Muito grato e disponível para qualquer esclarecimento,
João Pereira

Antes de 1974, o exame de Matemática era assim

Todos de nós crescemos com os nossos pais e avós a dizerem: “no meu tempo é que era, isto agora é muito facilitismo”. Aliás, muitos de nós até concordamos com essas afirmações.

Mas nada como fazer o exame da 4a classe de Matemática (ou melhor, aritmética e geometria) de 1968! Para isso clique aqui.

Efeito Fotoelétrico

O Efeito Fotoelétrico é um fenómeno físico, descoberto por Heinrich Hertz em 1887, que se baseia na emissão de eletrões provenientes de material condutor quando exposto a radiação com frequência suficientemente alta. Devido à descoberta deste fenómeno surgiram as mais variadas aplicações, entre as quais os painéis fotovoltaicos.

Mas comece-se pelo princípio: todos nós somos feitos de átomos. Por sua vez, os átomos são constituídos por protões, neutrões e eletrões. Os eletrões localizam-se em orbitais, em redor do núcleo, onde estão os protões e os neutrões. Funciona um pouco como o nosso sistema solar, em que o núcleo do átomo representa o sol, e os eletrões os planetas. Nesta metáfora, as orbitais dos átomos correspondem à órbita do planeta (eletrão), sendo mais energéticas aquelas mais afastadas do sol (núcleo). A natureza atómica é ‘um pouco’ mais complexa, mas este é o princípio fundamental.

A cada orbital está associada uma dada energia de ligação entre o eletrão e o núcleo, mas ao contrário do sistema solar, em que os planetas permanecem nas suas órbitas, os eletrões estão constantemente a saltar entre orbitais: entre as mais próximas do núcleo – em que a energia de ligação é mais intensa – e as mais afastadas – com a energia mais próxima de zero. Devido ao princípio de conservação de energia, esta troca entre orbitais tem de resultar em absorção – quando passa para uma orbital mais afastada do núcleo, com maior energia – ou emissão – caso contrário – de energia pelo eletrão. Como o eletrão não pode mudar continuamente de órbita – tem de ‘saltar’ de uma para outra – a transferência de energia também não é contínua, mas sim em ‘pacotes’: os fotões.

Fazendo incidir radiação com energia suficiente sobre um material condutor – é necessário que conduza corrente elétrica para que possa haver movimento de eletrões – o eletrão que a absorver salta para fora da ação do átomo: É libertado um eletrão e surge assim uma corrente elétrica. Ao aumentarmos a energia de cada ‘pacote’ da radiação incidente, a energia cinética do eletrão libertado aumenta, o que se traduz num aumento da corrente. Para aumentar essa energia, basta aumentar a frequência da radiação, porque a energia de cada ‘pacote’ é diretamente proporcional à frequência (cor) da radiação. Por outras palavras, como a radiação violeta tem quase o dobro da frequência da vermelha, cada fotão da primeira também tem quase o dobro da energia de cada fotão da segunda.

O efeito Fotoelétrico foi observado por Heinrich Hertz, em 1887, várias décadas antes de se conhecer a estrutura atómica. Enquanto estudava a natureza eletromagnética da luz, reparou que eléctrodos iluminados pela luz ultravioleta criavam “faíscas” com maior facilidade. Esta observação levou a várias tentativas de explicação do fenómeno, como o trabalho realizado por Wilhelm Hallwachs, em 1888, em que demonstrou que placas de metal irradiadas por luz ultravioleta ficavam carregadas positivamente (perdiam eletrões). Em 1903, Lenard provou que a energia dos eletrões emitidos não dependia da intensidade da luz.

Os fotões são os ‘pacotes’ de energia que constituem a luz visível e toda a radiação eletromagnética.

Em 1905, inspirado por estas descobertas e pela explicação de Planck para a radiação do corpo negro, Einstein teorizou que a luz era formada pelos tais pacotes de energia: os fotões. De facto, isso não era necessário para explicar os resultados, e a existência do fotão só foi universalmente aceite duas décadas depois, com a observação do efeito de Compton. Para o efeito fotoelétrico, era apenas necessário que a radiação trocasse energia daquela forma quantificada. É como dizer que se pode, hipoteticamente, ter qualquer quantidade de dinheiro no banco, mas apenas se pode trocar usando notas (‘pacotes’ monetários), o não é o mesmo que dizer que o dinheiro é feito de notas, mas das duas formas explica-se igualmente como é que com uma nota se consegue comprar um Ferrari (de brincar!).

Antes da 1905, não se percebia porque é que aumentar a intensidade da radiação – usando uma lâmpada mais potente – não era solução para arrancar eletrões do material, nem porque é que isso se conseguia mudando a cor da lâmpada. Einstein explicou-o: Não interessa quantos pacotes são enviados, mas sim a energia de cada um. Um eletrão ou absorve um fotão ou não, não pode absorver dois de menor energia para ‘compensar’; Também não se percebia como é que uma fonte pouco intensa conseguia arrancar eletrões tão rapidamente, julgava-se que era necessário algum tempo para acumular energia suficiente até isso acontecer, mas a explicação do cientista alemão também resolveu esse problema. Einstein ganhou o Prémio Nobel da Física em 1921, não pela sua descoberta da relação entre a massa e a energia nem pela relatividade de medições de tempos e distâncias, mas pelo seu trabalho nesta área.

Atualmente, o efeito fotoelétrico é usado em muitas aplicações da eletrónica. Muito se fala do aquecimento global e da crise energética, o que leva a um aumento da importância das energias renováveis, como a energia solar. Os painéis fotovoltaicos são constituídos por placas geralmente de Silício dopado – para aumentar a sua condutividade elétrica – ou de Arseneto de Gálio, por terem uma energia de remoção relativamente baixa (são retirados eletrões com facilidade). Esses eletrões livres são obrigados a fluir numa certa direção devido a campos eléctricos de outros materiais constituintes da placa, e pode-se aumentar o rendimento usando díodos – componente eletrónico que obriga a corrente elétrica a fluir num sentido.

As células fotovoltaicas também podem ser usadas como sensor de intensidade luminosa. Usando uma resistência elétrica com material de células fotoelétricas obtém-se uma resistência cujo valor depende da quantidade de luz, podendo assim usá-las como sensores da intensidade luminosa. Isto torna possível outra aplicação deste fenómeno físico: regular o brilho. Se ficar muito escuro acendem-se as luzes (e o ecrã do Smartphone fica mais iluminado); se houver muita luz, esta baixa de forma automática, diminuindo o consumo.

Os sensores de intensidade luminosa têm muitas outras aplicações, como portas automáticas, elevadores e dispositivos de segurança (ex. na indústria, para desligar o equipamento se alguma parte do corpo de um operário se encontrar em zona de perigo). Em laboratório, também se usa este tipo de sensores para um maior controlo da intensidade em experiências que depende deste factor.

Mas, para além de abrir portas, o efeito fotoelétrico é fundamental para coisas tão díspares como a obtenção de energia dos satélites (comunicações), converter radiação em sinais elétricos (fotomultiplicadores, fundamentais em vários ramos de investigação) ou técnicas de imagem em medicina (PET, RMN). Tudo isto só é possível por causa de Hertz e Einstein.

Ricardo Antunes, Aluno do 3º Ano do Mestrado Integrado em Engenharia Física, FCUL

Numa parceria com a Horizon

 

Alguém acredita no mérito??

Hoje numa visita ao Facebook deparo-me com um desafabo de uma professora de faculdade (que por acaso foi minha) cujo contrato não lhe foi renovado.

Por acaso até tenho boa impressão desta professora pois além de explicar-se bem (por vezes é raro numa universidade), era esforçada e muito acessível. Fará sentido não renovarem com uma professora que tem provas dadas e manter professores de qualidade duvidosa (sim, porque também os há!).

Mesmo nas empresas, este tipo de injustiças é frequente. Fará sentido mandar um engenheiro bom embora e manter “cepos com dois olhos” a trabalhar? Quem nunca conheceu um caso destes?

No meu caso pessoal também estou quase a acabar contrato e as espectativas de renovação não são muitas. Fará sentido andar a trabalhar de sol a sol para daqui a pouco tempo levar um chuto naquele sítio que todos nós sabemos?

Muitas pessoas vêem o que me esforço no dia-a-dia para levar a bom porto todos assuntos, para cumprir o estipulado, vêem o que me chateio com a inércia de algumas pessoas e estranham a minha motivação atendendo a que estou em risco de não ver o meu contrato renovado.

Vale a pena? Vale sempre a pena, quando a vontade não é pequena! Apesar de saber que o mérito não é reconhecido, temos que ter um brio profissional e estar sempre com a consciência tranquila de que fizemos tudo o que estava ao nosso alcance.

Pode ser que um dia recebamos uma medalha de cortiça, já que não há dinheiro para mais.