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Notas de Trabalhos Escolares são Aleatórias

A frase é polémica, mas é verdade para a maior parte dos trabalhos que se fazem na Universidade. Nunca acharam que o vosso trabalho foi subvalorizado ou sobrevalorizado?

Para lhes provar esta minha teoria, dou-lhes apenas três exemplos do meu tempo de estudante:

Exemplo 1:

Dois trabalhos entregues exactamente iguais, entregues ao mesmo professor (mas em anos diferentes). O que entregou no ano anterior teve 12, o que entregou no seguinte 16. Tudo bem, podiam ter mudado os critérios de correcção.

Exemplo 2:

Dois trabalhos entregues exactamente iguais, entregues a professores diferentes (no mesmo ano). Mais uma vez, notas diferentes. Critérios diferentes também podem ser a justificação, mas não seria justo.

Exemplo 3:

Professor admite que apenas lê as conclusões dos trabalhos (segundo ele, “por vezes nem isso”)

Se assim é, porque é que andamos a perder tempo com trabalhos, a maioria deles com o rótulo de “meramente académico”  ou de “na prática não se faz nada disto”? Não podia o tempo ser rentabilizado de uma forma mais útil.

Fica a minha opinião.

Guest post de leitor identificado 

 

 

Engenharia Civil é difícil?

Muita gente tem-me perguntado por e-mail se o curso de Engenharia Civil é difícil. A resposta é curta e simples: NÃO é difícil!

Existe um mito de que as engenharias são cursos que facilmente se entra e que dificilmente se sai. Na minha opinião isso é mais mito que realidade. Quando se está num curso que se gosta (mesmo que se apanhe algumas disciplinas que não servem praticamente para nada), aprende-se com facilidade e praticamente não é preciso estudar.


No entanto, há que ter cuidado com os primeiros anos com as matemáticas para que se evite  começar o curso “manco”. É um facto que quem começa “manco” terá mais dificuldade em acabar o curso em 5 anos (ou 3 dependendo do curso).  Se se deixa duas ou três disciplinas no primeiro ano aquilo pode transformar-se numa bola de neve incontrolável. É preciso também ter cuidado com uma ou outra disciplina de 3º e 4º anos que nos pode fazer tropeçar.

Obviamente que a maior ou menor dificuldade vai depender da pessoa. Enquanto que para o Ronaldo jogar futebol é muito fácil, para mim que tenho dois pés esquerdos é bem mais complicado. Num curso de engenharia é a mesma coisa. Uns vão ter mais aptidão que outros. Daí que uns vão ter mais dificuldades do que outros. E esses vão ter que estudar mais não há volta a dar.

O segredo para se tornar fácil um curso de engenharia civil? Nunca faltar a nenhuma aula prática. São neste tipo de aulas que se aprende realmente aquilo que é necessário saber. As teóricas, por sua vez, também são importantes. No entanto considero estas últimas mais dispensáveis que as práticas.

Claro que toda a gente conhece gente que não consegue acabar o curso no período de tempo previamente estabelecido. Porquê? A maioria não se adaptou bem à universidade nos primeiros anos. Outros baldaram-se às aulas.

Se a pergunta fosse: “é fácil tirar boas notas em engenharia civil?”. Aí a minha opinião seria ligeiramente diferente.

Conclusão: o curso de engenharia civil não é nada difícil. É preciso ter cuidado com algumas disciplinas, mas não é nada de muito extraordinário. Vão às aulas, estejam atentos e façam bons apontamentos. Depois correrá tudo bem!

O caso bicudo dos recém licenciados

Todos sabem que os recém licenciados (ou recém mestrados) são mal pagos, mas a culpa é de quem?

Na minha opinião, não é dos patrões. Eles têm que obter algum lucro e vão tentar ter a melhor competência pelo melhor custo. Porque é que haveriam de oferecer 1500 ou 2000 euros a um engenheiro acabado de sair da Universidade quando encontram alguém com as mesmas competências que aceita trabalhar por 750 euros (ou menos, mas aí já roça a exploração). Ponham-se também na posição do patrão.

Reparem ainda que quando saem da Universidade pouco ou nada sabem fazer. Ainda irão demorar algum tempo até entrarem nas rotinas.

“Pouco pão para muitos esfomeados” pode ser uma boa definição para este problema. Se há pouco pão para muitos esfomeados, quando a fome aperta, muita gente se oferece por migalhas.

Penso que já foi defendido aqui pelo administrador do blog que se devam reduzir as vagas no curso de Engenharia Civil. De facto, anualmente saem para o mercado de trabalho (ou para o desemprego) muitos mais engenheiros civis que o mercado consegue absorver. O curso de engenharia civil está a tornar-se banal e agora qualquer universidade ou instituto o tem (acho que até a escola de condução daqui da esquina tem o cursos de engenharia civil). Estão-se a criar sonhos a pessoas que serão destruídos. Muitos dos que estão a sair da universidade vão ter que ir para outras áreas que pouco ou nada têm a ver com engenharia civil.

Queria também deixar uma crítica aqueles estudantes que se fazem de coitadinhos com as novas regras das bolsas de estudo. Diziam que iam ter que desistir do curso porque não tinham forma de sobreviver com os cortes efectuado. Esses mesmos estudantes (e falo do que sei) são os mesmos que os apanhei muitas vezes na noite a gastar verdadeiras pipas de massa. São aqueles que residiam a 20 quilómetros da faculdade mas que alugaram um quarto ao lado da faculdade, etc.

Felizmente faço parte daquela fornada que saiu da universidade há 5/6 anos, quando ainda não se notava muito esta estagnação do mercado. Felizmente também fui para uma empresa sólida no mercado que praticamente não sente a crise dada a internacionalização.

Para quem ainda está a estudar dou-vos um conselho: apostem na formação em língua inglesa e francesa. Será um passo de gigante na vossa internacionalização!

Guest-post de: Pedro