Engenheiros no Banco do Réus

 O caso remonta a um acidente ocorrido a 15 de Setembro de 2003, quando um comboio embateu com uma retroescavadora de grande porte em Torres Novas, provocando a morte a uma pessoa e ferimentos em quatro (todos ocupantes do comboio).

Assim, Director de Obra, Gestor de Segurança e Técnico de Higiene e Segurança do consórcio composto pela Somague e Bento Pedroso, assim como o Fiscal da Empreitada do consórcio composto pela Planege e Pangeste vão ter que se sentar no banco dos réus. O manobrador na retroescavadora também está acusado. Estão acusados de três crimes: ofensa à integridade física por negligência, atentado à segurança de transporte e infracção de regras de segurança.

O Plano de Segurança e Saúde (PSS) obrigava à demarcação de um limite de 2m a partir da linha, o que não foi respeitado. A escavadora manobrava numa zona que invadia o “gabarit”, isto é, ocupava uma zona que o comboio ocupa além da linha.

Três meses antes do acidente, o manobrador assinou uma folha de presenças numa acção de formação que nunca frequentou.

O PSS obrigava também à presença de dois sinaleiros, para avisarem a aproximação de comboios. Neste dia estavam presentes os sinaleiros. Porém, um era guineense com quatro dias de trabalho e o outro era brasileiro que tinha sido admitido naquele dia. Não tinham qualquer experiência (nem formação) em trabalhos na via-férrea. As suas funções específicas também não foram correctamente transmitidas pelos restantes arguidos.

No fundo, o MP sustenta que os arguidos sabiam de todos os atropelos e violação das normas de segurança, mas acreditaram que nunca ocorreria qualquer colisão com um comboio.

Pensamento do Dia

Algures nuns apontamentos de Estruturas de Betão da FEUP aparece uma frase que não é mais do que um momento de inspiração de um aluno:

PS: Desculpem a linguagem.

Ponte Tacoma a Colapsar

O vídeo data de 1940 e qualquer engenheiro já o viu pelo menos uma vez na vida. Se um engenheiro civil nunca ouviu falar desta ponte, é melhor desconfiarem das suas qualidades.

Esta ponte entrou em ressonância, fenómeno nunca estudado até à altura. Serviu de exemplo para todas as pontes construídas após esta data.

Ponte Vasco da Gama

A ponte Vasco da Gama é uma ponte sobre o Rio Tejo que liga Montijo e Alcochete a Lisboa e Sacavém. Tem 17,2 km e é actualmente a ponte mais extensa da Europa (9ª no mundo).

Foi construída para ser uma alternativa à ponte 25 de Abril, frequentemente congestionada em horas de ponta. E também para evitar que o trânsito de pesado passe por Lisboa.

Por ser construída em zona protegida (Parque Nacional do Estuário do Tejo), houve grandes preocupações no impacto ambiental. Nesta zona nidificam muitas aves. A iluminação foi projectada para dentro da ponte para não perturbar a fauna daquele local.

A abertura ao tráfego deu-se no dia 29 de Março de 1998, sendo que a sua inauguração teve a particularidade de ter honras do Guiness Book pois foi a maior feijoada já realizada.

Esta obra teve 18 meses em construção, chegando a estar 3300 trabalhadores e simultâneo.

A ponte tem um total de 6 vias (3 em cada sentido), sendo que a velocidade máxima de circulação é 120 Km/h.  Já em dias de vento e/ou chuva o limite de velocidade baixa para 90 km/h.

A esperança média de vida da ponte é de 120 anos, estando dimensionada de maneira a suportar ventos de velocidade superior a 250 km/h e sismos 4 vezes superiores ao de que em 1755 abalou Lisboa (8,7 na escala de Richter).

A construção não teve encargos para o Estado Português, uma vez que a construção foi feita em troca da concessão de 40 anos sobre as portagens das duas pontes Lisboetas. O custo total da obra foi de cerca de 900 milhões de Euros.

Esta é sem dúvida uma das maiores obras de engenharia do Sec. XX.

Para mais informações, consulta o site na Lusoponte aqui.

Quem quiser ver a ponte em toda a sua extensão, veja aqui e amplie.


Humor: Todo o “Quidado” é Pouco

Humor: Nunca Passes a Bola a um Engenheiro

O vídeo já é um bocado antigo. Muito provavelmente até é fake. Mas não deixa por isso de ser uma situação muito caricata.

Mangualde Terá… Praia!

Será construída na cidade de Mangualde (distrito de Viseu) a primeira praia artificial da Europa. Esta praia, a construir no interior do nosso país terá cerca de 6500 toneladas de areia (proveniente de Leiria) e 945 mil litros de água salgada, tendo inclusivamente um simulador digital da linha do horizonte.

Além da praia artificial haverá uma zona com mais de 20000 metros quadrados com 6 restaurantes e 2 bares. Terá também uma zona com um palco para os famosos “concertos de Verão”.

Com um investimento de 1 milhão de euros, espera-se que esta construção tenha um retorno de 13 milhões para aquela região.

Como é óbvio, o espaço funcionará no período mais quente do ano, sensivelmente entre 15 de Junho e 15 de Setembro. Está previsto a entrada em funcionamento já neste ano. A introdução de ondas na piscina apenas está prevista para 2012.

Os próximos locais para construção de praias semelhantes poderão ser Alentejo e até Madrid.

Este é um projecto arrojado e pioneiro na Europa. Aliás, no mundo apenas existe algo semelhante no Japão.

É sempre de salutar o investimento no interior do país tantas vezes esquecido.

Desabafos de uma Engenheira Civil

Tal como referi no post “Salário de um Engenheiro Civil”, quero fazer um alerta para que os colegas tenham pleno conhecimento das suas responsabilidades legais (e também deontológicas), quando são contratados.

Eu em 2002 ainda era Bacharel e fui convidada, por uma Cooperativa de Habitação, para fiscalizar a execução de um empreendimento de moradias unifamiliares. Para mim era uma experiência nova, porque até à altura, nunca tinha tido um desafio tão abrangente e oportunidade de ganhar experiência em diversas áreas. As coisas não correram tão bem assim.

O meu empregador achou que eu tinha que prestar “outros serviços adicionais” e fui assediada no local de trabalho… Foi muito complicado lidar com a situação, pois em obra sempre me vesti o mais discretamente possível (sempre de calças de ganga e camisas básicas e largas), nunca me maquilhei, nem perfumei… Mas há pessoas com mau carácter e quando sabem que precisamos do dinheiro ao final do mês para pagar contas e estamos sozinhas, acham que somos presas fáceis…

A minha primeira prestação foi um contrato de um ano. A renovação deve ter sido à custa das expectativas que eu acederia aos intentos… Como não cedi, começou publicamente a destratar-me e se cometia algum deslize ou falta, fazia um escândalo gigantesco! À frente de quem quer que fosse! Quando teve oportunidade, obviamente rescindiu contrato. Mas até ai, o empregador mostrou-se de má fé, não querendo pagar-me legalmente o que tinha direito, ou seja, indemnização por caducidade de contrato.

Estive lá entre Fev. de 2002 a Jan. de 2004. Recorri à ANET para me ajudar, mas honestamente ficaram aquém das expectativas. Limitaram-se a enviar uma carta a explicar os meus direitos. Eles ignoraram-na!

Consegui que me pagassem recorrendo à ameaça: que ia a tribunal para que me pagassem o que devia e que ao mesmo tempo levantaria um processo de assédio sexual e mostraria a todo o mundo os bilhetes e cartas que me escreveu ao longo do tempo.

Sabem que pensei que me tinha livrado deste asqueroso ser? ENGANEI-ME!!!

Há sensivelmente 4 anos atrás recebi uma convocatória para comparecer em tribunal. Fico abismada quando me relatam que eu tinha que prestar declarações sobre um acidente que tinha ocorrido nessa obra onde eu era Fiscal. Um funcionário da obra tinha caído de um andaime. E fiquei incrédula quando o oficial me relata que o resultado tinha sido que o dito funcionário tinha tido lesões graves que resultaram na incapacidade. Eu soube na altura, porque me contaram (não me recordo quem foi), que tinha havido um acidente em obra, um trabalhador tinha caído do andaime e tinha sido levado de ambulância. Mas como ninguém me chamou (nem da obra nem patrão) e quando questionei o Director de Obra e o Encarregado Geral, não me deram grandes explicações e minimizaram a situação, a minha pessoa achou que o funcionário deveria ter tido algum entorse ou partido a perna… Afinal, a obra continuou normalmente a decorrer!

Na passada quinta-feira recebi nova convocatória do tribunal. Fiquei perplexa! Dirigi-me hoje novamente a um tribunal onde o Oficial de Justiça me comunica que tem indicação para me constituir “arguida”… Confesso que “desabei”!!! Fiquei indignada!! Como poderia ser responsabilizada de tal forma? De uma coisa que não vi??? Prestei as mesmas declarações, bati na mesma tecla de que não vi nada, que não me foi comunicado sequer a ocorrência. Percebi que, querem apurar e imputar responsabilidades a alguém em termos de matéria de segurança em obra… Entre um Gabinete de Projectos, um Empreiteiro Geral, um Dono de Obra e uma engenheira técnica fiscal… Adivinhem qual é o “peixinho dourado” no meio dos “tubarões”? Se bem conheci a “índole” do meu ex-patrão, o mesmo deve ter alegado que tinha ao seu serviço uma engenheira civil e que na opinião dele seria essa a minha responsabilidade.

Tenho andado a moer a cabeça, a pesquisar na net, a falar com uma verdadeira e grande amiga minha que domina legislação de segurança. O que quero deixar bem claro, é que antes de assinarem contrato, os colegas tenham bem presente, quais as suas obrigações legais. Estas podem não estar todas escritas no contrato. É preferível gastar umas massas a consultar um advogado do que, passado 8 anos, como é o meu caso, verem-se envolvidos numa tremenda “embrulhada”. Uma coisa é aquilo que achamos que é o nosso trabalho. Outra coisa é o patrão acha que somos responsáveis e devemos fazer e outra é o que legalmente é aplicável à categoria profissional. Quanto a mim, adivinho que devo ser constituída arguida, mesmo não tendo visto nada…

Continuo a pesquisar lei em vigor na altura do acidente (Agosto de 2003) e já reuni legislação que penso que me vai ajudar Mas… Sou uma simples e honesta engenheira que ganha 1000 euros por mês (e considero-me com muita sorte).

Pelo sim, pelo não, vou procurar um advogado na área que me defenda, mas que não me deixe na falência (alguém conhece algum?).

Ser honesta é complicado…

Guest Post de Liliana Pessoa

Colabore Connosco

És estudante de Engenharia Civil? Engenheiro Civil? Operário de Construção Civil? Trabalhas com Engenheiros?
Em caso afirmativo, ou se o mundo da engenharia e construção te fascina, colabora connosco!
Não é necessário que seja um artigo técnico. Pode ser um artigo de opinião, uma notícia, uma situação caricata que aconteceu, entre outros.
Os Guest Posts são uma maneira de partilhar conhecimentos e ajudar as outras pessoas. Os artigos que não sejam escritos pela EngenhariaPortugal ficarão devidamente assinados pelo autor.
Por isso, se estás interessado em escrever no EngenhariaPortugal, contacta-nos através do e-mail: engenhariaportugal@gmail.com
PS: Não serão aceites artigos cuja ÚNICA função seja publicitar um site e/ou uma marca. Porém, pode ser divulgado um produto neste blogue desde que devidamente enquadrado.

Meningite Fulminante Mata Aluno FEUP

Um estudante de Engenharia Civil da FEUP, de 23 anos, faleceu vitima de Meningite Fulminante. Outra aluna da mesma faculdade continua internada.  Fontes ligadas à Faculdade de Engenharia afirmam que os dois casos não têm ligação.

O aluno recentemente falecido era finalista do curso de Engenharia Civil. Aos amigos e familiares o blogue Engenharia Portugal quer manifestar as mais sinceras condolências.