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Reacção Álcalis-Sílica

A Reacção Álcalis-Sílica (RAS) tem sido uma das causas de origem química de degradação do betão. A manifestação desta patologia surge sob a forma de fendilhação. É um tipo de reacção expansiva interna que reduz consideravelmente a durabilidade do betão.

A origem deste problema está na reacção entre o cimento e os agregados. Assim, se juntarmos agregados reactivos com cimento de alcalinidade elevada, na presença de humidade existe grande probabilidade de ocorrer a RAS. Sendo RAS a formação de um gel interno expansivo.

A descoberta deste problema em Portugal data de 1990, na barragem da Pranaca. Assim, muitas construções anteriores a esta data apresentam problemas devidos a esta reacção. O viaduto Duarte Pacheco (detecção em 1993), Ponte da Figueira (em 1997), viadutos do Mondego (em 2002), ponte sobre Guadiana (em 2005), ente outros, foram obras de arte que manifestaram este problema e que obrigaram ao reforço de estruturas, com a reparação do betão.

Manifestações:

– Fissuração em rede;

– Fissuração orientada;

– Movimentos/Deformações;

– Coloração de fissuras;

Como prevenir?

– Utilizar agregados não reactivos aos álcalis

– Reduzir a alcalinidade da solução intersticial do betão

– Controlo da Humidade

 Vejam este documento do LNEC aqui, de fácil leitura e compreensão e com imagens ilustrativas deste tipo de reacção.

Betão de Má Qualidade no IP3

Algumas estruturas de betão do IP3 (que liga Vila Verde da Raia à Figueira da Foz) necessitam de reparação, pois o betão utilizado era de qualidade duvidosa. Este problema verifica-se principalmente no troço que atravessa a barragem da Aguieira.

Em teoria, as estruturas não deviam apresentar qualquer tipo de problema nos 50 anos após a construção. Porém, sete pontes deste Itinerário Principal, apesar de terem apenas 30 anos, carecem já de reparação.

Pela manifestação da patologia (betão a “esfarelar”, nalgumas zonas com armadura à vista) estamos provavelmente perante um caso de má mistura dos componentes do betão. Assim, poderá ter havido um cálculo errado das proporções de cimento, areia, brita e água ou então as proporções de projecto não foram respeitadas em obra. A utilização de areia de origem marítima mal lavada também poderá ser uma das causas da referida patologia, pois poderá ter provocado a corrosão das armaduras e consequente destacamento do betão.

A diminuição da durabilidade e resistência do betão poderia pôr em causa a segurança dos automobilistas.

Este problema vai “obrigar” a Estradas de Portugal a investir cerca de 50 milhões de euros para reabilitar as sete pontes nos concelhos de Penacova, Mortágua e Santa Comba Dão. Uma destas pontes terá mesmo que ser substituída, enquanto nas outras apenas é necessário reparar ou substituir pilares.